domingo, 9 de maio de 2010

O que é Aquilo



Nestes dois filmes: Mostramos o conflito, entre duas gerações na nossa sociedade actual.
Foi a pensar nestes duas situações, que desafio as novas gerações vindouras…
“Não cometam os mesmos erros no futuro, os mesmos que se estão a cometer nesta actualidade”

Não tenho "TEMPO"

Não tenho tempo

" Sabes, meu filho, até hoje não tive tempo para brincar contigo. Arranjei tempo para tudo, menos para te ver crescer. Nunca joguei dominó contigo, damas xadrez, ou batalha naval. Eu percebo que tu me procuras, mas, sabes, meu filho, eu sou muito importante e não tenho tempo. Sou importante para números, convites sociais e toda uma série de compromissos inadiáveis. Como largar tudo isso para brincar contigo? Não, não tenho tempo.

Um dia trouxeste o teu caderno escolar para eu ver e ficaste ao meu lado. Lembras-te? Não te dei atenção e continuei a ler o jornal. Porque afinal... afinal os problemas internacionais são mais sérios do que os da minha casa. Nunca vi os teus livros, não conheço a tua professora. Nem me lembro qual foi a tua primeira palavra. Mas, tu sabes, eu não tenho tempo. De que adianta saber as mínimas coisas a teu respeito se eu tenho outras grandes coisas a fazer?

É incrível como tu cresceste! Estás tão alto! Nem tinha reparado nisso. Aliás, eu quase não reparo em nada. E, nesta vida agitada, quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora, porque, aqui, fico calado diante da televisão.

Porquê? Porque a televisão é importante e informa-me muito.

Sabes, meu filho, a última vez que tive tempo para ti foi numa noite de amor com a tua mãe. Eu sei que tu te queixas, eu sei que tu sentes a falta duma palavra, duma pergunta amiga, duma brincadeia, dum chuto na tua bola. Mas eu não tenho tempo. Eu sei que sentes a falta de um abraço e de um sorriso, de um passeio a pé, de ir até ao quiosque, ao fundo da rua, comprar um jornal, uma revista. Mas sabes há quanto tempo eu não ando a pé na rua? não tenho tempo. Mas tu entendes: eu sou um homem importante. Tenho de dar atenção a muita gente, eu dependo delas. Meu filho, tu não entendes nada de comércio. Na realidade eu sou um homem sem tempo. E sei que tu ficas triste porque as poucas vezes que falamos é um monólogo - só eu é que falo.

Eu quero silêncio. Quero sossego e tu tens a péssima mania de querer brincar com a gente. Tens a mania de saltar para os braços dos outros. Filho! eu não tenho tempo para te abraçar. Não tenho tempo para conversas e brincadeiras de crianças.

Filho, o que é que tu percebes de computadores, comunicação, cibernética, racionalismo? Tu sabes quem é Descartes e Kant? Como é que eu vou parar para falar contigo? Sabes, filho, não tenho tempo. Mas o pior de tudo, o pior de tudo é que se tu morresses agora, já, neste instante, eu ficava com um peso na consciência. Porque, até hoje, até hoje não arranjei tempo para brincar contigo. E, na outra vida, Deus não terá tempo de me deixar, pelo menos, ver-te.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lenda de Nossa Senhora do Livramento

Em anos de seca faziam-se procissões à Senhora do Livramento a pedir chuva. Diz a lenda que a Senhora do Livramento e São Brissos tiveram um filho, mas o santo traiu-a com a Senhora das Neves. Quando a população queria chuva ia buscar a N. S.ª do Livramento, ou Senhora da anta, à capela deixando lá o seu filho. Transportando a imagem para a igreja de São Brissos onde a colocavam de costas para o Santo. Eram as lágrimas que vertia por estar longe do filho e perto do seu ex-amor, que trazia a chuva aquelas paragens.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Visita de Estudo ao NERBE e Ovibeja






No dia 28 de Abril de 2010, os formandos do Curso de Agente em Geriatria de Évora. Juntamente com colegas do Curso de Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade, realizámos uma visita de estudo a Beja, mais propriamente ao Pavilhão do NERBE e à Ovibeja , inaugurada nesse mesmo dia.
O objectivo foi visitar uma exposição dos formandos do Curso de Agentes em Geriatria de Beja. Nesta viagem pretendeu-se assistir à apresentação do Tema de Vida, trabalhos esses feitos pelos mesmos formandos, conhecer as várias peças de artesanato que ornamentavam o Pavilhão; desde trajes, objectos decorativos, típicos do nosso Alentejo.
A viagem teve início junto ao NERE de Évora às 8 horas e 40 minutos aproximadamente.
Nesta viagem participaram alguns Formadores: Professor João Gabriel, Doutora Maria João Tomé, Professora Ana Martins, assim como outra formadora do Curso de Assistente e de Apoio à Comunidade.
A viagem foi divertidíssima, cantámos acompanhados à Viola por um colega muito divertido.
Quando chegámos, juntaram-se a nós o Grupo de Formandos de Estremoz, acompanhados pela sua Formadora Dina, também nossa formadora e uma pessoa maravilhosa.
Na parte da manhã assistimos à leitura do texto de Miguel Torga “Alentejo” retirado da Obra “Portugal” - este texto foi lido pelos formandos de Beja.
Fomos muito bem recebidos, foram-nos oferecidos alguns bolos e uma pequena lembrança.
A tarde foi passada na Ovibeja, visitámos os diversos Pavilhões, quer de gado, quer de gastronomia, artesanato, etc.
Gostámos muito desta viagem, pois foi a primeira viagem que fizemos durante o tempo que frequentámos este Curso. Foi um dia muito bem passado, adorámos o convívio.
Agradecemos a forma gentil como fomos recebidos e aguardamos a vossa visita, em data a agendar.
Muito Obrigado!
Os Formandos do Curso de agente em Geriatria de Évora
Texto escrito por: Maria Juliana Almeida



Em viagem.




No interior do Pavilhão do NERBE.



Vista geral da exposição.



Trabalhos dos Formandos.



Mais uma vista geral.



Artesanato.



Esperando a representação.



Formandos do Curso A.G. de Beja.



Leitura pelos formandos “ Viagens da minha terra” Miguel Torga.



Tosquia de ovelhas.



Uma de algumas raças de cabras, expostas neste certame.



Touro raça “Limousine” com um peso de 1400 kg



Saída da Ovibeja.



De regresso a Évora.



Um passeio divertidos mas: todos cansados…



Um enxerto de um filme, de apresentação “Viagens da minha Terra” de Miguel Torga.

Calçada de Carriche



Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada

António Gedeão